quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Entre o céu e a terra


Ah, vou virar mar
Com toda a sua profundidade e perigos
Abrigando ilhas de incertezas, pequeninos grãos de areia de esperança
Amores em ondas bravias, que chegam à praia
E morrem
Levar até o infinito, ali onde tudo se conecta, os continentes, as embarcações cheias de saudade
Todas as oferendas de desejos
De vontade

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Todo dia


Sabe a sensação de que os ponteiros do relógio criaram asas turbinadas e saíram rasgando os meses por aí?

Ah, as pendências e suas urgências...
Elas berram em meus ouvidos todos os dias às 7 da manhã: UM BREVE DIA PRA VOCÊ!
Lembra daquele par que você sonhava calçar?
Pois é, virou tão singular...

E eu continuo acenando da proa
gritando ao salva-vidas: Não sou à toa!

Sabe a sensação de que os ponteiros do relógio rodopiaram feito tufões e saíram destruindo todos por aí?

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Desejos

(foto: kurt halsey)

Que suas palavras não ditas sejam inspiração para as próximas páginas que escreverei
Que meus olhares não capturados transformem-se nas fotos que você revelará
Espero que você pendure em sua sala, na parede lilás, o quadro mais bonito que sonhei
A moldura, mesmo que quebrada, foi feita com esmero, para combinar com o seu tom
Que nossas danças não embaladas desabrochem em todos os jardins por onde passar
Que nosso amor não consumado nasça da união do que não foi e sempre será...

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Um sonho que se sonha só vira pó


Ontem, gritei ao léu todos os meus sonhos não dormidos
Insone, acordei sonâmbulo por sonâmbulo
Que, em suas camas quentes e confortáveis, vivem seus piores pesadelos

Com meu saco de dormir, vou caminhando por entre as vielas
No silêncio da noite, grudo lambe-lambes de minhas memórias
Alguém tem que lembrá-las. Não é possível!

Nas travessias, ofereço travesseiros aos sonhadores
Um descanso para pensamentos dispersos, impressos por aí
Me despeço. Quando te dou meu sonho, meu ganho é recebê-lo vivido.


quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Quebra-mar

(foto: luis pinto)

Conta-gotas
Nesse mar ao-deus-dará
Sentimentos se perdem em ondas
Passa-tempo, passa-tudo

Queima-roupa
Um trovão que rasga o peito
De nada amor, é tanta dor
Ao verbo que foi mais-que-perfeito

Guarda-chuva
De tanta lágrima
Me sobram lenços
além-de-(a)mar




quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Interprete

(claudia f.)

O selo do desrespeito
Um beijo
Pra matar o teu desejo

Do tudo
Sobra-se nada
Contudo
Disfarça

Ser música
Pra minha alma
Que hoje pra ti
Se cala.



quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Há uma alma em mim


Ontem voei até onde tudo termina
De lá, ri infinitas vezes da minha freqüente falta de sorrisos

Num piscar de olho, revivi tudo que ainda não fiz
O que fazer? Meus braços sobre o peito não acalantam meus anseios
Não tocam, não provocam desejos

Hoje sou uma estrela morta
Você ainda pode ver o meu brilho, mas ele já não o ilumina
*Inspirado no filme - "O Escafandro e a Borboleta"

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Frente e Verso


Versos se sustentam por um dia
A noite escurece uma rima

Sonetos de 14 sonhos me fazem cair da cama
Deito a cabeça amparada por estrofes
E o vento pela janela despenteia todas as métricas construídas - viram odes!

Um decassílabo bate à porta
Demoro, insisto, espreguiço...

Haikai!

primeiros dias de agosto
fui feliz
ou foi desgosto?


segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Não há mais espaço em mim
Meus olhos não alcançam tudo o que posso ver
Minhas pernas encolhidas impedem todas as corridas que posso ganhar
Com meu coração na mão, estrangulo todas as dores e amores que posso viver
Grito o que a boca não ousa pronunciar

Alôôô! Alguém me ouve?
Enxerga tudo o que finjo esconder?
E as vontades que correm na veia? Sente a pulsação?
Uma implosão em mim e lá fora todos dormem...

domingo, 3 de agosto de 2008

Ao que quase foi e ainda não é

(miguel carvalho)

Meio sol
Se põe em mim
Ilumina cada canto
As beiradas
Um quase

Meio dia
Me antecipo
E entardeço
Uma estrela desponta
Desmorona um sonho em mim

Meia noite
Adormeço
O silêncio nina
Me incita
Amanheço

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Morrer outono para renascer primavera

(luisa branco)
Despedaço. Folhas caem ao chão na mudança das estações
Voam com o vento...varridas para algum quintal.

Frutos da minha imaginação pra lá de fértil
Um pouco de mim, do que é real

Sobrevivo só, com sol
Minha sombra te faz forte, te protege

Renasço. Sementes florescem no ar das aspirações
Voam com o tempo...guardadas em algum quintal

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Suspenso

(foto: jorge palha)

Se sinto...um suspiro pra pensar
Um dueto, um duelo!
E em dias como esses, uma brisa bota tudo a rodar
Recordações transformam-se em futuras lembranças
Para um par, pára-brisa para clarear
Uma chuva leve aperta o peito teu
...leva de volta o meu à nuvem. Evaporar!

sexta-feira, 18 de julho de 2008

(foto: solange freitas)

O que falta, o que sobra, o que importa?
Um meio-sorriso, um quase-amor, uma meia-verdade
Nos caminhos que se abrem, há pontes que se quebram
Muito frágeis, ficam semanas, gerações sem manutenção

Nós
Para mantermos
Laços
Se desfazem
Passos
Não se traçam

E o mundo segue colorido e solitário
Repleto de novos moradores que se trombam
E não se acham
Biografias não vividas
Um best-seller de páginas em branco...

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Mas...

(foto: Marta)

Um beijo meu
Para toda mágoa que vier
Para cada boca desconhecida, minha alma
Me entrego ao acaso, a quem quiser

E a ti que quero
A toda hora
Minha solidão, meu acalanto
O que não falo, eu te componho, canto

Rezando para que se reconheça em uma interrogação que seja
Das minhas frases cheias de mim, interpretações soltas de nós

Para mim, o que reserva?
Hiatos, vãos, espaços, ecos?
Nem cinco minutos dedicados à minha escrita?
Às palavras que enfeito só por ti?

Das minhas horas de fugas
Desejos se vão de uma vida inteira
Dedicaria meus ombros para todos os seus choros
De tristeza, de alegria

Mas não há nem cinco minutos de tua vida...

terça-feira, 15 de julho de 2008

(foto: ricardo torres)


Fazia infusões de sonhos todas as noites antes de dormir
A cada sono, eles iam se evaporando...um por um
Iam sei lá pra onde
Talvez para algum lugar onde alguém os pudesse viver

A cada fatia de idéia que se alimentava
Um gole de razão para digestão
Os sabores iam se misturando...um por um
E, da sua boca, alimentava o mundo inteiro

Palavras doces, amargas, ardidas
Era preciso estômago para tantas refeições, interpretações
Se embriagava de mentiras, por vezes...
E tomava banho de verdades, todos os dias
Ao acordar...