terça-feira, 16 de dezembro de 2008

acima do medo, a coragem


Era tanta alegria que escorria sorrisos pelos dedos
Densa e palpável que lhe pesava as frágeis mãos
Nunca tinha tido tantos sonhos transformados em presente que não sabia mais o que fazer com o futuro
E agora? Olhava para os lados, para as pessoas ao seu redor e perguntava aflita
Distribuía aos que passavam, preenchia os bolsos com porções, respirava as vontades contidas de 10 anos
E, mesmo assim, escorria aos poucos tudo o que sempre quis
(...)
E depois da felicidade, o que mais há de vir?

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

(Diego Bresani)

Dias rasos
Noites raras
Em solos férteis ele planta invernos
De tempos em tempos, colhe mudas de ventos
E prepara um buquê que despenteará todos os seus sonhos...

terça-feira, 25 de novembro de 2008

De partida para o hoje


Pequenos cacos de espelhos refletem
quem eu fui
Cada pinta no meu corpo revela
os meses que já se foram

Hoje, os sonhos se fantasiam de ansiedade
E o passar das horas me dá vertigem

O vento que me assoviava uma canção, agora me desafia pra dançar

É...
engraçado mesmo é quando se ganha o presente e não se sabe o que fazer com ele

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Amanheceu?

Espreguiiiiiiiço

Ando em direção à janela, onde as roupas balançam ao vento
Ainda é cedo – ou tarde demais?
O vento por dentro da fronha agita todos os sonhos que a noite viveu
As janelas batendo, o varal balançando, uma dança de pregadores
Peça por peça se desprende, se despede

Boceeeeeeeejo

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Última interpretação


Saí de cartaz
Abri mão de representar eu mesma nos filmes estrelados por protagonistas
No universo de hoje, quero ser pequeno satélite para os que se acham Sol

Desse filme eu não agüento reprise, não
E a cada novo cenário, a mesma cena
O mesmo público...os mesmos atores. Chega!

Deus! Dai-me o improviso de viver!
A expectativa de um novo capítulo!
Uma história baseada em fatos reais!

Uma salva de palmas aos que escrevem seus roteiros
Contracenam com a verdade
Sabem chegar ao FIM.

terça-feira, 30 de setembro de 2008

Chegou

O frio que corre a espinha e o sorriso largo de um motivo.
Quando tudo parece calmo, calmo demais, é porque uma tempestade está por vir. Acreditem!
E a chuva e o vento foram tantos que tudo foi pelos ares! A menina vive hoje de ponta-cabeça! Pés nas nuvens e cabeça no chão. O sorriso? Esse está pregado no rosto e não há furacão que o tire de lá.
Sabem, tempestades vão e vem, mas aquela jamais há de colocar tudo em seu devido lugar novamente. Trovões de idéias abalam sua cabeça e no coração o aperto de possibilidades – e escolhas.
Seus olhos alcançam as aventuras do mundo, mas seus dedos só querem tocar dez outros dedos infinitamente maiores e seguros que o dela.
Quando tudo parece fora do lugar, bagunçado demais, é porque o que você esperava estava por vir. Acreditem!

terça-feira, 9 de setembro de 2008

À Kelly, que sentiu-se na história de tantos sentidos

(foto: marco antonio nunes)
E tocou o telefone, as cortinas voaram e os livros abriram-se em vários novos capítulos esparramados pelo meu chão

Desde aquele dia nada ficou no lugar

Eu não me achava em meio a tantas horas incomuns. Cadê o sino das seis horas? O homem pra recolher todo o meu lixo?
Meus vestidos são meio ultrapassados para tantas novas ocasiões. Por mais que me enfeite, já não preciso ser mais do que realmente sou

A espera foi tão doce, que hoje amanheço em minha cama desarrumada pela saudade
E nada faz tanto sentindo como tudo - de nós.

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Entre o céu e a terra


Ah, vou virar mar
Com toda a sua profundidade e perigos
Abrigando ilhas de incertezas, pequeninos grãos de areia de esperança
Amores em ondas bravias, que chegam à praia
E morrem
Levar até o infinito, ali onde tudo se conecta, os continentes, as embarcações cheias de saudade
Todas as oferendas de desejos
De vontade

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Todo dia


Sabe a sensação de que os ponteiros do relógio criaram asas turbinadas e saíram rasgando os meses por aí?

Ah, as pendências e suas urgências...
Elas berram em meus ouvidos todos os dias às 7 da manhã: UM BREVE DIA PRA VOCÊ!
Lembra daquele par que você sonhava calçar?
Pois é, virou tão singular...

E eu continuo acenando da proa
gritando ao salva-vidas: Não sou à toa!

Sabe a sensação de que os ponteiros do relógio rodopiaram feito tufões e saíram destruindo todos por aí?

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Desejos

(foto: kurt halsey)

Que suas palavras não ditas sejam inspiração para as próximas páginas que escreverei
Que meus olhares não capturados transformem-se nas fotos que você revelará
Espero que você pendure em sua sala, na parede lilás, o quadro mais bonito que sonhei
A moldura, mesmo que quebrada, foi feita com esmero, para combinar com o seu tom
Que nossas danças não embaladas desabrochem em todos os jardins por onde passar
Que nosso amor não consumado nasça da união do que não foi e sempre será...

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Um sonho que se sonha só vira pó


Ontem, gritei ao léu todos os meus sonhos não dormidos
Insone, acordei sonâmbulo por sonâmbulo
Que, em suas camas quentes e confortáveis, vivem seus piores pesadelos

Com meu saco de dormir, vou caminhando por entre as vielas
No silêncio da noite, grudo lambe-lambes de minhas memórias
Alguém tem que lembrá-las. Não é possível!

Nas travessias, ofereço travesseiros aos sonhadores
Um descanso para pensamentos dispersos, impressos por aí
Me despeço. Quando te dou meu sonho, meu ganho é recebê-lo vivido.


quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Quebra-mar

(foto: luis pinto)

Conta-gotas
Nesse mar ao-deus-dará
Sentimentos se perdem em ondas
Passa-tempo, passa-tudo

Queima-roupa
Um trovão que rasga o peito
De nada amor, é tanta dor
Ao verbo que foi mais-que-perfeito

Guarda-chuva
De tanta lágrima
Me sobram lenços
além-de-(a)mar




quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Interprete

(claudia f.)

O selo do desrespeito
Um beijo
Pra matar o teu desejo

Do tudo
Sobra-se nada
Contudo
Disfarça

Ser música
Pra minha alma
Que hoje pra ti
Se cala.



quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Há uma alma em mim


Ontem voei até onde tudo termina
De lá, ri infinitas vezes da minha freqüente falta de sorrisos

Num piscar de olho, revivi tudo que ainda não fiz
O que fazer? Meus braços sobre o peito não acalantam meus anseios
Não tocam, não provocam desejos

Hoje sou uma estrela morta
Você ainda pode ver o meu brilho, mas ele já não o ilumina
*Inspirado no filme - "O Escafandro e a Borboleta"

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Frente e Verso


Versos se sustentam por um dia
A noite escurece uma rima

Sonetos de 14 sonhos me fazem cair da cama
Deito a cabeça amparada por estrofes
E o vento pela janela despenteia todas as métricas construídas - viram odes!

Um decassílabo bate à porta
Demoro, insisto, espreguiço...

Haikai!

primeiros dias de agosto
fui feliz
ou foi desgosto?


segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Não há mais espaço em mim
Meus olhos não alcançam tudo o que posso ver
Minhas pernas encolhidas impedem todas as corridas que posso ganhar
Com meu coração na mão, estrangulo todas as dores e amores que posso viver
Grito o que a boca não ousa pronunciar

Alôôô! Alguém me ouve?
Enxerga tudo o que finjo esconder?
E as vontades que correm na veia? Sente a pulsação?
Uma implosão em mim e lá fora todos dormem...

domingo, 3 de agosto de 2008

Ao que quase foi e ainda não é

(miguel carvalho)

Meio sol
Se põe em mim
Ilumina cada canto
As beiradas
Um quase

Meio dia
Me antecipo
E entardeço
Uma estrela desponta
Desmorona um sonho em mim

Meia noite
Adormeço
O silêncio nina
Me incita
Amanheço

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Morrer outono para renascer primavera

(luisa branco)
Despedaço. Folhas caem ao chão na mudança das estações
Voam com o vento...varridas para algum quintal.

Frutos da minha imaginação pra lá de fértil
Um pouco de mim, do que é real

Sobrevivo só, com sol
Minha sombra te faz forte, te protege

Renasço. Sementes florescem no ar das aspirações
Voam com o tempo...guardadas em algum quintal

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Suspenso

(foto: jorge palha)

Se sinto...um suspiro pra pensar
Um dueto, um duelo!
E em dias como esses, uma brisa bota tudo a rodar
Recordações transformam-se em futuras lembranças
Para um par, pára-brisa para clarear
Uma chuva leve aperta o peito teu
...leva de volta o meu à nuvem. Evaporar!

sexta-feira, 18 de julho de 2008

(foto: solange freitas)

O que falta, o que sobra, o que importa?
Um meio-sorriso, um quase-amor, uma meia-verdade
Nos caminhos que se abrem, há pontes que se quebram
Muito frágeis, ficam semanas, gerações sem manutenção

Nós
Para mantermos
Laços
Se desfazem
Passos
Não se traçam

E o mundo segue colorido e solitário
Repleto de novos moradores que se trombam
E não se acham
Biografias não vividas
Um best-seller de páginas em branco...

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Mas...

(foto: Marta)

Um beijo meu
Para toda mágoa que vier
Para cada boca desconhecida, minha alma
Me entrego ao acaso, a quem quiser

E a ti que quero
A toda hora
Minha solidão, meu acalanto
O que não falo, eu te componho, canto

Rezando para que se reconheça em uma interrogação que seja
Das minhas frases cheias de mim, interpretações soltas de nós

Para mim, o que reserva?
Hiatos, vãos, espaços, ecos?
Nem cinco minutos dedicados à minha escrita?
Às palavras que enfeito só por ti?

Das minhas horas de fugas
Desejos se vão de uma vida inteira
Dedicaria meus ombros para todos os seus choros
De tristeza, de alegria

Mas não há nem cinco minutos de tua vida...

terça-feira, 15 de julho de 2008

(foto: ricardo torres)


Fazia infusões de sonhos todas as noites antes de dormir
A cada sono, eles iam se evaporando...um por um
Iam sei lá pra onde
Talvez para algum lugar onde alguém os pudesse viver

A cada fatia de idéia que se alimentava
Um gole de razão para digestão
Os sabores iam se misturando...um por um
E, da sua boca, alimentava o mundo inteiro

Palavras doces, amargas, ardidas
Era preciso estômago para tantas refeições, interpretações
Se embriagava de mentiras, por vezes...
E tomava banho de verdades, todos os dias
Ao acordar...

domingo, 6 de julho de 2008

sobre o vazio


E eu chegava bem-acompanhada de mim mesma

Na festa, personagens que me abraçavam com saudade e eu nem os reconhecia

Histórias com sorrisos, com cheiro do que fui

E eu rodava no salão, trocava todos os refrões tão afinados pelo coro

Dos contentes, tentava arrancar um brilho de olhar

Que me desse uma lágrima pra lembrar do que chorar

Vazia de tudo, peço uma valsa pra terminar a noite

E eu me despeço com um aceno

Cena por cena, me pegava pela mão e me enchia de histórias de mim mesma

Apagavam-se as luzes

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Lembro


Clic!
Teu momento só pra mim
Teu sorriso a qualquer hora
Ai....demora!
Aquele dia para muitos outros que virão

Clic!
Aceno para as lembranças ainda tão presentes
Meu passado por um futuro a dois!
Ah, e nesse instante?
Te procuro em todos calendários

Ei, te espero aqui!
Enquanto folheio nossos sonhos...


terça-feira, 1 de julho de 2008

Despedida

foto: rodrigo silva

Um dia, se cansou de ser
Pra ele
Estar lhe bastava
Mas não para ela
Que era cheia de aspirações
Por ele
Metade, não completava

A moral da história:
Se dê a você, se encha de si. O que é ser para você pode ser estar para o outro...

segunda-feira, 30 de junho de 2008

Para você - sem aliterações, pois já é poesia

foto: claudia quaresma

Não me agradeça
Por tudo o que tenho para te dar
Que não é pouco, nem suficiente
Para ti, que é de muitas canções...

De ti, não quero troco
Uma troca, simplesmente!
De beijos e desejos pelos trocadilhos de tuas palavras

Eu troco!
Minhas tentações e aliterações
Por uma canção
Para chamarmos de nossa...

domingo, 29 de junho de 2008

Poeticamente inviável

foto: miguel pereira

Minhas rimas entre suas idas e vindas
Respira.
Me inspira!
Suplica
entre um suspiro e outro...

Minhas inspirações entre chegadas e partidas
Recorda.
Me lembra!
Vai embora
Entre um verso e outro...

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Você quer?


Quer tentar?

Meus sinais são claros. Só não os vê quem não os quer.
Queria
Teus olhares são muitos. Só não os tem que não os merece.

Deve pular?

Meus medos são evidentes. Só não os sente quem não os teme.
Temia
Teus sonhos são muitos. Só não os vive quem não os cria.

quinta-feira, 26 de junho de 2008

lado-a-lado

foto: rogério lemos

Uma linha
De ponta-a-ponta
Me equilibro em contra-pesos
À direita um sim, à esquerda um não

Um início
De fio-a-fio
Meus pés passeiam
À direta foco, à esquerda emoção

No meio do caminho risco o céu
O passo-a-passo é passado
No fim do caminho, não se olha nem pra baixo, nem pra trás
Não me restam pesos, me sobram asas...

quarta-feira, 25 de junho de 2008

espera a pressa

foto: sérgio sardinha


Dia-a-dia
se esvaía...

Passo-a-passo
descompasso.

Abre a porta?
cala a boca!

Corre-corre!
deita e dorme...

terça-feira, 24 de junho de 2008

Consigo Comigo


Contido
Sentido
Fadado

Doído

Co(n)tudo

Sem nada

Sinto muito

foto: ana morkazel

De tanto se sentir, não me viveu. Queria-se para si, tanto, que me perdeu...
Da boca para dentro, as palavras para mim se perdiam. Meus ouvidos abertos esperavam atentos ecos do teu coração.
Ocos, seus sentimentos chegavam e esvaiam. De tanto de si, só me restou uma oração...

domingo, 15 de junho de 2008

O chegar e o partir


Até aquele dia, fazia um vazio na menina. Aquele lugar era tão repleto de silêncio, que mal escutavam-se os pensamentos... ...Se perdiam na cabeça as frases mal-colocadas e as intenções mal-resolvidas.

Naquele dia, preenchiam-se sonhos na menina. Cada cheiro e novo timbre que ele deixava era uma batida que ecoava em cada pedacinho do seu ser. Já não cabiam mais tantas cores em sua alva pele.

Um acorde baixinho, um par de sandálias no tapete, um chapéu fora de contexto! Ela sabia que seu vazio seria preenchido pelo provisório e, por isso, costurava recortes de lembranças nas paredes de seu coração.

A menina se despedia enquanto corriam as horas. E, assim, foi-se o tempo diadesses...

sábado, 14 de junho de 2008

Com os pés no chão conto até o infinito


Meus pés fincados na razão e os dedos tocando as estrelas
que são cadentes e me levam a mil pedidos secretos

No tempo de um segundo
no corre-corre da vida
um dia alguém parou para amarrar o meu cadarço
arrumou o botão da minha blusa, tirou todo o meu cansaço
notou minha primeira ruga no canto do olho
me deu um beijo com ternura...
...e nesse tempo já havia se passado todos os segundos de um ano...

Ao amarrar o meu cadarço
desamarrou os nós de minha cabeça, que nem fita de presente
E no mais é sol...e só.