Ainda é cedo – ou tarde demais?
O vento por dentro da fronha agita todos os sonhos que a noite viveu
As janelas batendo, o varal balançando, uma dança de pregadores
Peça por peça se desprende, se despede

O frio que corre a espinha e o sorriso largo de um motivo.
(foto: marco antonio nunes) 


Ontem, gritei ao léu todos os meus sonhos não dormidos
Insone, acordei sonâmbulo por sonâmbulo
Que, em suas camas quentes e confortáveis, vivem seus piores pesadelos
Com meu saco de dormir, vou caminhando por entre as vielas
No silêncio da noite, grudo lambe-lambes de minhas memórias
Alguém tem que lembrá-las. Não é possível!
Nas travessias, ofereço travesseiros aos sonhadores
Um descanso para pensamentos dispersos, impressos por aí
Me despeço. Quando te dou meu sonho, meu ganho é recebê-lo vivido.
O selo do desrespeito
Um beijo
Pra matar o teu desejo
Do tudo
Sobra-se nada
Contudo
Disfarça
Ser música
Pra minha alma
Que hoje pra ti
Se cala.

