quarta-feira, 5 de maio de 2010

Desafinada



Te fiz uma canção
Não tem letra
Nem refrão

Soa forte
Mas não toca
Como pode?

Tento te reescrever
Mas cadê você
Pra me ler?

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Para quem não sabe dizer adeus

(foto: nuno sacramento)

Se puder me espiar

Saudar

Quando tua ausência se preencher

Rezar

Para tudo que não tivemos

Inventar

Quando for hora de partir

Me levar...

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Sem Norte

(foto: daje)
Eu com minha cabeça dura
Vivo de miolo mole
Em se tratando dele
As palavras saem entrecortadas
Com a minha língua afiada
Ele com sua cabeça de vento
Vive no mundo da lua
E meu coração
Como bússola
O segue onde estiver

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Borboletear

(foto: hélio chagas)

Encasulando minhas asas aprendi a viver
Entre o tilindar de uma folha e outra
Crescer

Ali, tudo é deveras seguro
Entre uma seda e outra
O escuro

A solidão me faz voar
Entre os perfumes e mel
Acreditar

Em tempos em tempos que saudades de ter
As mesmas flores, folhas, o meu casulo
No mais belo vôo, morrer...

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Modus Operandi

(miguel teotónio)

Sua floresce venta e chove
Nasce anda perpetua e morre

Me acode!

O senso de urgência anda fazendo o que pode
Subindo pelas paredes, me sugando o cangote

Respira acalma um verso retoma
Rabisca apaga ascende a alma

Me acorda!

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Frágil realidade


(maria são miguel)

Quando eu sou brisa
Coração ventania
Meus olhos no dia-a-dia
Aqui dentro se revira
Por que quando está bem
Tudo se termina?




domingo, 26 de abril de 2009

Livro Aberto

(joão pinto vieira da costa)

O que os heróis fazem quando acaba a história?
Vestem-se de vilões e começam novos capítulos?
O autor é o mesmo e nem sempre coloca as paisagens que gostariam de ver
As tempestades aparecem sem que consigam prever

Algumas vezes abrem aspas na minha vida e eu sou abrigada a aceitá-las?
Proponho travessões e linhas retas
O dia de heroína e de vilã sou eu quem escolhe
E ponto final.

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Os pesos e as medidas

(filomena chito)
Quanto vale a sua calma?
Quantos centímetros seu sorriso?
O seu olhar. Ofusca quantas almas?
Eu sinto tanto. Pelo tudo inalcançável e pelo nada que não faz falta.
Eu sinto. Tanto por você, tampouco pelo o que não fez.
Faça. Pelo o tanto que sinto por você. Ainda há calendários e seus meses que vamos riscando a todo bom dia e boa noite...

Sinta tanto minha presença, quanto eu sinto pela sua ausência.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

acima do medo, a coragem


Era tanta alegria que escorria sorrisos pelos dedos
Densa e palpável que lhe pesava as frágeis mãos
Nunca tinha tido tantos sonhos transformados em presente que não sabia mais o que fazer com o futuro
E agora? Olhava para os lados, para as pessoas ao seu redor e perguntava aflita
Distribuía aos que passavam, preenchia os bolsos com porções, respirava as vontades contidas de 10 anos
E, mesmo assim, escorria aos poucos tudo o que sempre quis
(...)
E depois da felicidade, o que mais há de vir?

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

(Diego Bresani)

Dias rasos
Noites raras
Em solos férteis ele planta invernos
De tempos em tempos, colhe mudas de ventos
E prepara um buquê que despenteará todos os seus sonhos...

terça-feira, 25 de novembro de 2008

De partida para o hoje


Pequenos cacos de espelhos refletem
quem eu fui
Cada pinta no meu corpo revela
os meses que já se foram

Hoje, os sonhos se fantasiam de ansiedade
E o passar das horas me dá vertigem

O vento que me assoviava uma canção, agora me desafia pra dançar

É...
engraçado mesmo é quando se ganha o presente e não se sabe o que fazer com ele

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Amanheceu?

Espreguiiiiiiiço

Ando em direção à janela, onde as roupas balançam ao vento
Ainda é cedo – ou tarde demais?
O vento por dentro da fronha agita todos os sonhos que a noite viveu
As janelas batendo, o varal balançando, uma dança de pregadores
Peça por peça se desprende, se despede

Boceeeeeeeejo

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Última interpretação


Saí de cartaz
Abri mão de representar eu mesma nos filmes estrelados por protagonistas
No universo de hoje, quero ser pequeno satélite para os que se acham Sol

Desse filme eu não agüento reprise, não
E a cada novo cenário, a mesma cena
O mesmo público...os mesmos atores. Chega!

Deus! Dai-me o improviso de viver!
A expectativa de um novo capítulo!
Uma história baseada em fatos reais!

Uma salva de palmas aos que escrevem seus roteiros
Contracenam com a verdade
Sabem chegar ao FIM.

terça-feira, 30 de setembro de 2008

Chegou

O frio que corre a espinha e o sorriso largo de um motivo.
Quando tudo parece calmo, calmo demais, é porque uma tempestade está por vir. Acreditem!
E a chuva e o vento foram tantos que tudo foi pelos ares! A menina vive hoje de ponta-cabeça! Pés nas nuvens e cabeça no chão. O sorriso? Esse está pregado no rosto e não há furacão que o tire de lá.
Sabem, tempestades vão e vem, mas aquela jamais há de colocar tudo em seu devido lugar novamente. Trovões de idéias abalam sua cabeça e no coração o aperto de possibilidades – e escolhas.
Seus olhos alcançam as aventuras do mundo, mas seus dedos só querem tocar dez outros dedos infinitamente maiores e seguros que o dela.
Quando tudo parece fora do lugar, bagunçado demais, é porque o que você esperava estava por vir. Acreditem!

terça-feira, 9 de setembro de 2008

À Kelly, que sentiu-se na história de tantos sentidos

(foto: marco antonio nunes)
E tocou o telefone, as cortinas voaram e os livros abriram-se em vários novos capítulos esparramados pelo meu chão

Desde aquele dia nada ficou no lugar

Eu não me achava em meio a tantas horas incomuns. Cadê o sino das seis horas? O homem pra recolher todo o meu lixo?
Meus vestidos são meio ultrapassados para tantas novas ocasiões. Por mais que me enfeite, já não preciso ser mais do que realmente sou

A espera foi tão doce, que hoje amanheço em minha cama desarrumada pela saudade
E nada faz tanto sentindo como tudo - de nós.