sexta-feira, 18 de julho de 2008

(foto: solange freitas)

O que falta, o que sobra, o que importa?
Um meio-sorriso, um quase-amor, uma meia-verdade
Nos caminhos que se abrem, há pontes que se quebram
Muito frágeis, ficam semanas, gerações sem manutenção

Nós
Para mantermos
Laços
Se desfazem
Passos
Não se traçam

E o mundo segue colorido e solitário
Repleto de novos moradores que se trombam
E não se acham
Biografias não vividas
Um best-seller de páginas em branco...

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Mas...

(foto: Marta)

Um beijo meu
Para toda mágoa que vier
Para cada boca desconhecida, minha alma
Me entrego ao acaso, a quem quiser

E a ti que quero
A toda hora
Minha solidão, meu acalanto
O que não falo, eu te componho, canto

Rezando para que se reconheça em uma interrogação que seja
Das minhas frases cheias de mim, interpretações soltas de nós

Para mim, o que reserva?
Hiatos, vãos, espaços, ecos?
Nem cinco minutos dedicados à minha escrita?
Às palavras que enfeito só por ti?

Das minhas horas de fugas
Desejos se vão de uma vida inteira
Dedicaria meus ombros para todos os seus choros
De tristeza, de alegria

Mas não há nem cinco minutos de tua vida...

terça-feira, 15 de julho de 2008

(foto: ricardo torres)


Fazia infusões de sonhos todas as noites antes de dormir
A cada sono, eles iam se evaporando...um por um
Iam sei lá pra onde
Talvez para algum lugar onde alguém os pudesse viver

A cada fatia de idéia que se alimentava
Um gole de razão para digestão
Os sabores iam se misturando...um por um
E, da sua boca, alimentava o mundo inteiro

Palavras doces, amargas, ardidas
Era preciso estômago para tantas refeições, interpretações
Se embriagava de mentiras, por vezes...
E tomava banho de verdades, todos os dias
Ao acordar...

domingo, 6 de julho de 2008

sobre o vazio


E eu chegava bem-acompanhada de mim mesma

Na festa, personagens que me abraçavam com saudade e eu nem os reconhecia

Histórias com sorrisos, com cheiro do que fui

E eu rodava no salão, trocava todos os refrões tão afinados pelo coro

Dos contentes, tentava arrancar um brilho de olhar

Que me desse uma lágrima pra lembrar do que chorar

Vazia de tudo, peço uma valsa pra terminar a noite

E eu me despeço com um aceno

Cena por cena, me pegava pela mão e me enchia de histórias de mim mesma

Apagavam-se as luzes

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Lembro


Clic!
Teu momento só pra mim
Teu sorriso a qualquer hora
Ai....demora!
Aquele dia para muitos outros que virão

Clic!
Aceno para as lembranças ainda tão presentes
Meu passado por um futuro a dois!
Ah, e nesse instante?
Te procuro em todos calendários

Ei, te espero aqui!
Enquanto folheio nossos sonhos...


terça-feira, 1 de julho de 2008

Despedida

foto: rodrigo silva

Um dia, se cansou de ser
Pra ele
Estar lhe bastava
Mas não para ela
Que era cheia de aspirações
Por ele
Metade, não completava

A moral da história:
Se dê a você, se encha de si. O que é ser para você pode ser estar para o outro...

segunda-feira, 30 de junho de 2008

Para você - sem aliterações, pois já é poesia

foto: claudia quaresma

Não me agradeça
Por tudo o que tenho para te dar
Que não é pouco, nem suficiente
Para ti, que é de muitas canções...

De ti, não quero troco
Uma troca, simplesmente!
De beijos e desejos pelos trocadilhos de tuas palavras

Eu troco!
Minhas tentações e aliterações
Por uma canção
Para chamarmos de nossa...

domingo, 29 de junho de 2008

Poeticamente inviável

foto: miguel pereira

Minhas rimas entre suas idas e vindas
Respira.
Me inspira!
Suplica
entre um suspiro e outro...

Minhas inspirações entre chegadas e partidas
Recorda.
Me lembra!
Vai embora
Entre um verso e outro...

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Você quer?


Quer tentar?

Meus sinais são claros. Só não os vê quem não os quer.
Queria
Teus olhares são muitos. Só não os tem que não os merece.

Deve pular?

Meus medos são evidentes. Só não os sente quem não os teme.
Temia
Teus sonhos são muitos. Só não os vive quem não os cria.

quinta-feira, 26 de junho de 2008

lado-a-lado

foto: rogério lemos

Uma linha
De ponta-a-ponta
Me equilibro em contra-pesos
À direita um sim, à esquerda um não

Um início
De fio-a-fio
Meus pés passeiam
À direta foco, à esquerda emoção

No meio do caminho risco o céu
O passo-a-passo é passado
No fim do caminho, não se olha nem pra baixo, nem pra trás
Não me restam pesos, me sobram asas...

quarta-feira, 25 de junho de 2008

espera a pressa

foto: sérgio sardinha


Dia-a-dia
se esvaía...

Passo-a-passo
descompasso.

Abre a porta?
cala a boca!

Corre-corre!
deita e dorme...

terça-feira, 24 de junho de 2008

Consigo Comigo


Contido
Sentido
Fadado

Doído

Co(n)tudo

Sem nada

Sinto muito

foto: ana morkazel

De tanto se sentir, não me viveu. Queria-se para si, tanto, que me perdeu...
Da boca para dentro, as palavras para mim se perdiam. Meus ouvidos abertos esperavam atentos ecos do teu coração.
Ocos, seus sentimentos chegavam e esvaiam. De tanto de si, só me restou uma oração...

domingo, 15 de junho de 2008

O chegar e o partir


Até aquele dia, fazia um vazio na menina. Aquele lugar era tão repleto de silêncio, que mal escutavam-se os pensamentos... ...Se perdiam na cabeça as frases mal-colocadas e as intenções mal-resolvidas.

Naquele dia, preenchiam-se sonhos na menina. Cada cheiro e novo timbre que ele deixava era uma batida que ecoava em cada pedacinho do seu ser. Já não cabiam mais tantas cores em sua alva pele.

Um acorde baixinho, um par de sandálias no tapete, um chapéu fora de contexto! Ela sabia que seu vazio seria preenchido pelo provisório e, por isso, costurava recortes de lembranças nas paredes de seu coração.

A menina se despedia enquanto corriam as horas. E, assim, foi-se o tempo diadesses...

sábado, 14 de junho de 2008

Com os pés no chão conto até o infinito


Meus pés fincados na razão e os dedos tocando as estrelas
que são cadentes e me levam a mil pedidos secretos

No tempo de um segundo
no corre-corre da vida
um dia alguém parou para amarrar o meu cadarço
arrumou o botão da minha blusa, tirou todo o meu cansaço
notou minha primeira ruga no canto do olho
me deu um beijo com ternura...
...e nesse tempo já havia se passado todos os segundos de um ano...

Ao amarrar o meu cadarço
desamarrou os nós de minha cabeça, que nem fita de presente
E no mais é sol...e só.