segunda-feira, 30 de junho de 2008

Para você - sem aliterações, pois já é poesia

foto: claudia quaresma

Não me agradeça
Por tudo o que tenho para te dar
Que não é pouco, nem suficiente
Para ti, que é de muitas canções...

De ti, não quero troco
Uma troca, simplesmente!
De beijos e desejos pelos trocadilhos de tuas palavras

Eu troco!
Minhas tentações e aliterações
Por uma canção
Para chamarmos de nossa...

domingo, 29 de junho de 2008

Poeticamente inviável

foto: miguel pereira

Minhas rimas entre suas idas e vindas
Respira.
Me inspira!
Suplica
entre um suspiro e outro...

Minhas inspirações entre chegadas e partidas
Recorda.
Me lembra!
Vai embora
Entre um verso e outro...

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Você quer?


Quer tentar?

Meus sinais são claros. Só não os vê quem não os quer.
Queria
Teus olhares são muitos. Só não os tem que não os merece.

Deve pular?

Meus medos são evidentes. Só não os sente quem não os teme.
Temia
Teus sonhos são muitos. Só não os vive quem não os cria.

quinta-feira, 26 de junho de 2008

lado-a-lado

foto: rogério lemos

Uma linha
De ponta-a-ponta
Me equilibro em contra-pesos
À direita um sim, à esquerda um não

Um início
De fio-a-fio
Meus pés passeiam
À direta foco, à esquerda emoção

No meio do caminho risco o céu
O passo-a-passo é passado
No fim do caminho, não se olha nem pra baixo, nem pra trás
Não me restam pesos, me sobram asas...

quarta-feira, 25 de junho de 2008

espera a pressa

foto: sérgio sardinha


Dia-a-dia
se esvaía...

Passo-a-passo
descompasso.

Abre a porta?
cala a boca!

Corre-corre!
deita e dorme...

terça-feira, 24 de junho de 2008

Consigo Comigo


Contido
Sentido
Fadado

Doído

Co(n)tudo

Sem nada

Sinto muito

foto: ana morkazel

De tanto se sentir, não me viveu. Queria-se para si, tanto, que me perdeu...
Da boca para dentro, as palavras para mim se perdiam. Meus ouvidos abertos esperavam atentos ecos do teu coração.
Ocos, seus sentimentos chegavam e esvaiam. De tanto de si, só me restou uma oração...

domingo, 15 de junho de 2008

O chegar e o partir


Até aquele dia, fazia um vazio na menina. Aquele lugar era tão repleto de silêncio, que mal escutavam-se os pensamentos... ...Se perdiam na cabeça as frases mal-colocadas e as intenções mal-resolvidas.

Naquele dia, preenchiam-se sonhos na menina. Cada cheiro e novo timbre que ele deixava era uma batida que ecoava em cada pedacinho do seu ser. Já não cabiam mais tantas cores em sua alva pele.

Um acorde baixinho, um par de sandálias no tapete, um chapéu fora de contexto! Ela sabia que seu vazio seria preenchido pelo provisório e, por isso, costurava recortes de lembranças nas paredes de seu coração.

A menina se despedia enquanto corriam as horas. E, assim, foi-se o tempo diadesses...

sábado, 14 de junho de 2008

Com os pés no chão conto até o infinito


Meus pés fincados na razão e os dedos tocando as estrelas
que são cadentes e me levam a mil pedidos secretos

No tempo de um segundo
no corre-corre da vida
um dia alguém parou para amarrar o meu cadarço
arrumou o botão da minha blusa, tirou todo o meu cansaço
notou minha primeira ruga no canto do olho
me deu um beijo com ternura...
...e nesse tempo já havia se passado todos os segundos de um ano...

Ao amarrar o meu cadarço
desamarrou os nós de minha cabeça, que nem fita de presente
E no mais é sol...e só.

sexta-feira, 22 de junho de 2007

Sentindo-se Lóri


"A melhor luz de se viver era na madrugada, leve tão leve promessa de manhãzinha..."

"Chegara à conclusão de que ela não tinha dia-a-dia, mas sim uma vida-a-vida..."

C.L
#

De tão profunda, Lóri se perdia em si mesma...

Esperava...anoitecia

E, enfim, amanheceu...

quarta-feira, 16 de maio de 2007

Aurora e o titã Bóreas


Juntos, são amanhecer boreal
Só, são pólos sul e norte

Ela, se amanhece
Ele, sopra o vento solar

Magnetismo exercido pela Terra
Partículas emitidas pelo Sol

Juntos, inundam cores no céu, tudo é real

quarta-feira, 2 de maio de 2007

Eu e o Son(h)o

Agora é noite.
O que estou eu fazendo despertada a esta hora?
Por que não consigo me entregar ao sono?
Por que o sono não se rende a mim?
O que me assola?
O que me serena?
Os meus sonhos.
Me assolam e me serenam.
Serenam porque são sonhos, aspirações, que só eu sei quanto custa sonha-los.
Assolam porque de quando em vez creio que nunca se tornarão realidade.
O que é realidade?
São meus sonhos que transformei em real ou o real que transformei em sonhos?
O sono chega e preciso resolver estes problemas.
Eu sei que eu preciso.
Mas sempre o sono chega antes.
Sempre.
Então no sono eu sonho que sonhava com o sono.
E nunca sei porque as vezes não tenho sono.

segunda-feira, 30 de abril de 2007

Janelinha


Uma vista vazia
sem horizonte
sem fio,
sem ponte,
sem liga,
sem nome,
sem ida,
sem senso
é
uma vista vazia
e
um vazio imenso.


À mercê do vento

um catavento
teus olhos buscando
os meus

sino dos ventos
meus pulsos entregues
aos teus

tempo sem tempo
olhares meus
dispersos nos seus
nos meus
nos teus
nos meus
nos teus